E esse inverno tão seco?

 

“Nem está tão frio assim, doutora, mas seco demais! Aí já viu…”.

É, já vi sim. 🙂

Este tempo do inverno brasileiro de 2017 – um tanto de frio com baixíssima umidade relativa do ar – é propício para a manifestação de doenças respiratórias. Resfriado, asma, bronquite, rinite, sinusite e gripe estão entre os males que apresentam aumento na incidência durante a estação. Mas não são somente estas doenças que aparecem mais no inverno, sabia?

Em dias de tempo seco, o número de consultas hospitalares aumentam em até 40%. A baixa umidade, para quem não sabe, pode até favorecer a ocorrência de trombose, derrame e até infarto – tudo porque, com o tempo muito seco, “perdemos” muita água para o ambiente. Muitas vezes nem percebemos isso, mas sabemos que temos mais sede – e essa é uma “dica” muito importante.

O problema é que, quando não nos hidratamos corretamente, principalmente nesta situação, o sangue “engrossa”. Desidratamos, né? Então ele fica mais viscoso e tem dificuldade em circular pelo organismo. Com isso, é mais fácil de “entupir” os vasos sanguíneos – daí vem a maior chance de trombose, de infarto e do derrame (acidente vascular cerebral). Em quem tem maior propensão a estas doenças – idosos, gestantes e doentes crônicos – a vigilância tem que ser ainda maior!

Em termos de doenças infecciosas, os olhos também sofrem, sabia? A desidratação, por si só, já é inflamatória para as mucosas todas, daí estamos mais sujeitos a conjutivites também. O ar seco concentra os poluentes e micropartículas no ambiente, então entramos em contato com maiores quantidades destas substâncias irritantes. O muco (secreção) que ajuda a proteger os pulmões de infecções fica espesso e a limpeza das vias respiratórias é prejudicada. A bronquite e a rinite aparecem mais. Tudo inflama mais fácil e, com isso, as bactérias e vírus têm mais facilidade de se instalar dentro da gente.

Cuidados

Então o que eu faço?

ÁGUA. ÁGUA. ÁGUA. Pelo menos 2 litros por dia. Não pense que é demais… vá aumentando devagarzinho o volume que você bebe ao longo do dia, que daqui a pouco você chega lá.

Leve uma garrafinha de água com você e beba metade de hora em hora. Fica mais fácil de fazer as contas e de se hidratar em qualquer lugar.

Também pode usar soro fisiológico para hidratar as mucosas. Pode usar 3 vezes ao dia nas narinas vai ajudar.

Além disso, para o ambiente, utilize um umidificador ou coloque uma toalha de banho molhada e aberta em cima de uma cadeira no ambiente em que você estiver. Na sala ou no quarto. A superfície da toalha de banho é grande o suficiente para proporcionar mais umidade ao ambiente.

Não esqueça nunca de lavar as mãos com água e sabão ou álcool gel! Isso vai dificultar que os vírus e bactérias cheguem com facilidade aos seus olhos, nariz, garganta e pulmões.

Mas eu estou com sintomas…

Fique atento a sinais como tosse, “chiado no peito”, febre, inflamação na garganta e dores no corpo e de cabeça. Principalmente se estes sintomas aparecerem em crianças, idosos, fumantes, pessoas com doenças respiratórias anteriores ou com doenças ou medicações que diminuam a imunidade. Com estes pacientes precisamos de mais cuidado, porque estes casos podem evoluir para pneumonia e outros casos graves. Nestas situações, procure atendimento médico com rapidez, talvez seja necessária até internação hospitalar.

A vacina contra gripe vale a pena?

Sim! Principalmente nos chamados “grupos de risco”, que são estes citados aí acima. A vacina ajuda muito a evitar casos graves, então nestas pessoas esta proteção é muito importante. Se você pertence a algum destes grupos, procure um posto de vacinação assim que possível.

Beijos e até! 🙂

“Superbactérias” – o que eu tenho a ver com isso?

Pra começar, vamos entender o que as pessoas querem dizer quando chamar uma bactéria de superbactéria.

Uma bactéria é um minúsculo ser vivo, que não conseguimos ver a olho nu, que interage com outros seres vivos e pode tanto ter uma atuação positiva na saúde do hospedeiro quanto provocar doenças. No homem, as bactérias são muito benéficas, por exemplo, ao ajudar nosso intestino a absorver os nutrientes e a proteger o órgão. Mas também nos causam doenças que conhecemos por infecções bacterianas, como amigdalites, pneumonias, sinusites, etc. – e elas são combatidas com antibióticos.

Aliás, uma informação muito importante: antibióticos só combatem infecções causadas por bactérias! Se você tiver uma infecção causada por vírus, NÃO ADIANTA TOMAR ANTIBIÓTICO. Ele não só não vai tratar a sua doença, como pode lhe causar muitos outros problemas. NÃO TOME ANTIBIÓTICOS POR CONTA PRÓPRIA!

Agora voltando ao assunto do post…

O que é chamado de superbactéria é aquela bactéria que já não responde ao tratamento comum da forma como esperamos. É como se ela criasse um escudo contra essas drogas. Por isso nós dizemos que ela é resistente aos antibióticos.

Mas e daí? O que significa isso?

Acontece que, se você desenvolve uma infecção por uma bactéria com esse comportamento, ela é mais difícil de tratar. E mais cara. Exemplo: ao invés de tomar medicação pela boca – mais simples e mais barata, na maior parte dos casos – você acaba precisando internar para tomar medicação pela veia. E ninguém quer isso, certo? Mas pode ficar pior: para algumas bactérias, nenhum antibiótico existente no mundo funciona mais. Quer dizer, se você tem uma infecção causada por uma destas, não há tratamento que vá lhe ajudar. Esse é um problema sério, muito sério, que vem acontecendo pelo mundo inteiro. E acredite: até mesmo na sua cidade pequena. (veja mais: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40561948 )

Mas todo mundo pode pegar uma infecção assim? Por uma superbactéria?

Sim. Mas tem gente mais suscetível. São aquelas pessoas que já têm algum problema de saúde que compromente a imunidade; gente que já faz uso de antibiótico; pacientes submetidos a procedimentos invasivos, como cirurgias (e outros que “entram” no paciente, por isso chamamos de invasivos). Por isso os pacientes que estão em CTI têm mais chance de entrarem em contato com essas bactérias e desenvolver doenças. Mas lembre-se: todos estamos sob risco. Quer ver?

As bactérias causadoras da Gonorréia e da Sífilis estão se tornando intratáveis. Mas estas não eram doenças da Idade Média? Ninguém morre disso, doutora! Pois é, deveriam ser doenças das quais a gente nem mais ouve falar. Mas não, elas estão por aqui, acometendo muita gente – crianças, inclusive! (veja qui o post sobre sífilis: https://eagorainfectologia.com/2017/07/25/eu-tenho-sifilis-e-agora/ ) – e só são pegas através do sexo sem proteção – e matam sim, tá?

Mas por que elas estão aparecendo?

Porque estamos usando antibióticos demais. Quase sem controle. E não é só na saúde humana não… as criações de animais, como aves e gado de corte, recebem antibióticos para que os animais não adoeçam e possam crescer mais rápido para serem abatidos, assim os produtores não perdem dinheiro. Aliás, mais da metade dos antibióticos consumidos no mundo são utilizados na agropecuária. Acontece que, dentre outros problemas, estes antibióticos acabam selecionando as bactérias mais resistentes e elas têm chegado até nós. (saiba mais aqui: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151208_antibioticos_animais_rb )

Mas como eu me protejo? O que eu posso fazer?

 

Simples:

  • primeiro, lave sempre as mãos. Sempre. Assim diminuímos as chances das bactérias chegarem até nossas bocas, olhos, narizes, feridas, etc. Se for internado em um hospital ou precisar de auxílio médico, cheque sempre se o profissional que lhe atende higienizou as mãos com água e sabão (ou álcool gel) antes e depois de lhe atender;
  • segundo, tome antibiótico apenas se prescrito pelo médico. Nunca se automedique. Não tome o que sobrou de outra caixa porque os sintomas são os mesmos. Não tome o que a sua vizinha tomou porque funcionou para ela. Tenha certeza de que ele é adequado para você – pergunte sem medo para o seu médico. E tome apenas durante o tempo que ele mandou – nem a mais, nem a menos;
  • terceiro: sexo protegido sempre! Não tem desculpas para não usar camisinha!

Outras medidas estão sendo tomadas pelos hospitais através das suas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar, pelos municípios, estados e governo federal. Também precisamos ficar de olho e cobras ações para isto.

Alguma outra dúvida? Escreve para mim! 🙂

“Eu tenho Sífilis! E agora??”

Calma! Primeiro, respira. 🙂

Segundo, vamos entender primeiro o que é sífilis, quais os seus sintomas e o seu tratamento. Sim, tem tratamento. Melhor ainda, tem cura! 🙂 Então vamos começar…

Sífilis é uma infecção sexualmente transmissível. Isto quer dizer que, ao fazer sexo desprotegido – qualquer tipo que seja, mas desprotegido – com alguém infectado pela doença, você corre o risco de adquirir sífilis. Pode passar na transfusão sanguínea? Na teoria pode, mas com os testes feitos hoje no sangue doado, esse meio de transmissão é quase impossível. Mas, mais importante: ela também passa da mãe para o feto na gestação quando a mãe está doente e não se trata. No feto, ela causa estragos gravíssimos, incluindo a morte.

Mas doutora, eu não tenho sintomas! Fui ao médico, fiz o exame e deu positivo!

Muitas pessoas têm o diagnóstico exatamente assim. Vou explicar como a sífilis acontece: quando a pessoa se expõe numa relação desprotegida e entra em contato com o agente da sífilis (chama-se Treponema pallidum, só pra saber), ela desenvolve uma lesão inicial, uma ferida por onde se contaminou. Essa fase é conhecida como Sífilis Primária. A essa ferida, nós médicos chamamos cancro duro. Você deve ter ouvido seu (sua) médico (a) falar nisso ou perguntar pra você se você se lembra quando ela surgiu.

Pois essa ferida aparece, não coça, não dói (ou dói muito pouco). O fundo dela é liso, brilhante, com um pouquinho de secreção líquida e transparente. Normalmente é uma ferida só. Junto com ela costumam surgir também umas ínguas perto do local (ínguas, para os médicos, são linfonodos aumentados. Você vai ouvi-lo (a) falar estes termos. São uma prova que seu organismo está tentando se defender). Exemplo: se a sua ferida for na região genital, você vai ter estas ínguas na virilha. Atenção: a ferida pode aparecer na boca também se o contato for por sexo oral, viu?

Cancro duro é isso aqui, ó:

cancro duro

 

Só que essa ferida desaparece sozinha, mesmo não tratando, com umas 3-4 semanas. Aí você acha – ou achou – que tudo bem! Passou, não tem mais nada com o que se preocupar. Mas não, não é bem assim… Acontece que, a partir deste momento, o “bicho” se espalha no organismo. Você não sente nada, mas ele está se espalhando.

Com isso pode ser que, alguns meses depois, você note algumas lesões na sua pele. Podem ser confundidas até com alergia. Aparecem na pele do corpo todo, mas o que deve chamar a sua atenção, é que elas surgem também na palma das mãos e nas plantas dos pés. Quando isso acontece (podem vir outros sintomas também, mas esse é mais comum), a gente diz que o paciente desenvolveu a Sífilis Secundária.

Essas lesões de pele se parecem com isso aqui, ó:

sífilis secundária.jpg

 

Por quê é importante saber se é primária ou secundária? Basicamente, porque o tratamento muda.

Se você continuar sem tratar, estas lesões somem. Mas o “bicho” continua a se espalhar pelos órgãos internos. Lá na frente, você pode ter problemas cardíacos, neurológicos (até demência) e ósseos, dentre outros. É, é isso mesmo. Pode ser grave, bem grave, até matar.

Só que mais grave que isso tudo, é se você for mulher e gestante. Seu neném pode morrer na sua barriga; ou assim que nascer; ou, se nascer, pode ter muitas sequelas graves. Não precisamos chegar nesse ponto, não é mesmo? Eu garanto pra você que é muito, muito triste.

Então, entre uma fase e outra, você pode não sentir nada.

O diagnóstico é simples: seu médico ou sua médica lhe examina, conversa com você e pede exame de sangue. Pode ser até teste rápido, o resultado sai em 20 minutos. Eles devem pedir um outro também, chamado VDRL. Este serve para acompanhar o tratamento e saber se você está respondendo bem a ele.

Qual é o tratamento? Simples. É com penicilina benzatina, que todo mundo conhece como benzetacil. Se estiver em alguma dessas fases acima, são duas injeções de penicilina intramuscular, uma em cada nádega, e pronto.

Se você for gestante ou não se lembrar de nenhum destes sintomas, mas ainda assim seus exames forem positivos, aí você vai repetir essas injeções por 3 semanas.

Esse tratamento CURA A SÍFILIS. Mas não impede que você volte a pegar a doença de novo se tiver outras relações desprotegidas com alguém que tem a doença e não tratou.

É importante voltar ao médico com 30 dias para repetir os exames e saber se está tudo bem. Tão importante quanto é lembrar que, se você pegou uma infecção sexualmente transmissível, você pode ter pego outra. É… pode sim. Então lembre-se de testar para HIV, hepatite B e outras doenças. Seu médico vai lhe falar sobre isso.

Como prevenir? Camisinha. Feminina ou masculina, tanto faz. Sempre. Sem desculpas. Afinal, você pode ter há tempos e não saber, passando pro (a) seu (sua) parceiro (a). O mesmo acontece com ele (ela). Quem é que pode ter certeza do que já aconteceu?

Fique tranquilo. Tratou, curou, vida normal. É só tomar cuidado.

Beijos a todos! 🙂

Mas o que é Infectologia, afinal?

Vamos entender melhor. A Infectologia é área da Medicina que se dedica ao estudo, prevenção e tratamento das doenças infecciosas. Através dela estudamos os problemas causados por patógenos (microorganismos que causam doenças) que invadem o corpo humano e causam danos ao organismo, tais como bactérias, vírus, parasitas ou fungos.  O Infectologista trabalha para identificar e indicar o melhor tratamento para cada um deles.

Prevenção. O Infectologista também estuda como estas doenças são disseminadas no ambiente, podendo prevenir uma epidemia, por exemplo. Quando necessário, irá prescrever ações que vão desde a administração de vacinas até mesmo à desinfecção de salas e equipamentos.

Doenças. Entre os exemplos mais comuns de doenças infecciosas estão as infecções de pele (abscessos, erisipela, celulite, etc.); respiratórias (gripes, sinusite, bronquite, pneumonias, tuberculose, etc.); neurológicas (meningites, encefalites, abcessos cerebrais, dentre outras); infecções sexualmente transmissíveis (HIV, sífilis, gonorréia, hepatite B, etc.); infecções congênitas (passadas da mãe para o feto), infecções de ossos e algumas doenças tropicais (dengue, malária, zika, chikungunya, dentre outras).  Essas são apenas alguns exemplos.

Quando procuro um Infectologista? 

  • quando a sua infecção está muito difícil de ser diagnosticada;
  • quando a doença não responde ao tratamento realizado;
  • quando se vai viajar para local com risco alto para determinadas doenças (é possível preveni-las);
  • quando se é portador de determinadas doenças tratadas pelo Infectologista, como HIV, Hepatite B, Hepatite C e outras doenças infecciosas crônicas.

E no Hospital? 

Nos hospitais, o papel do Infectologista é atuar no Controle de Infecção Associada à Assistência em Saúde. Como?

Simples. O nome é pomposo, mas muito simples de explicar: procedimentos de saúde dentro de ambientes de assistência – ambulatórios, asilos, hospitais, etc. – incorrem em risco de infecção para os pacientes. Toda vez que o paciente é “invadido”, como chamamos quando é operado ou recebe um cateter na veia ou um cateter urinário (sonda), por exemplo, tem o risco de desenvolver infecção aumentado. Muitas pessoas conhecem isso pelo termo Infecção Hospitalar. Vou explicar isso melhor em outro post.

Mas para reduzir os riscos de ocorrência de infecção hospitalar, todo hospital deve constituir uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), que é responsável por uma série de medidas como o incentivo da correta higienização das mãos dos profissionais de saúde, o controle do uso de antimicrobianos, a fiscalização da limpeza e desinfecção de artigos e superfícies, etc. O Infectologista é presença obrigatória nas CCIH.

A CCIH tem o objetivo não somente de prevenir e combater a infecção hospitalar, mas também de proteger o hospital e o corpo clínico.

Deu pra entender o que é a Infectologia? Qualquer dúvida, escreve pra mim! 🙂

E agora, Infectologia?

Este é o resumo do post.

“Doutora, é a senhora que cuida dessas viroses?”

“AIDS já tem cura e ninguém quer dizer, não é?”

“Esse negócio de infecção hospitalar é de verdade?”

Todo mundo aqui já teve uma gripe, um resfriado, talvez dengue ou zika… conhece alguém que vive com HIV, outro que ficou mais tempo no hospital que o planejado devido a uma infecção… isso sem falar nas doenças “típicas” da infância, como sarampo, caxumba e rubéola ou mesmo as sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorréia, hepatite B…

São muitas as dúvidas e preocupações que cercam as nossas vidas por conta das doenças infecciosas e suas repercussões. Você aí tem alguma? Vamos falar sobre elas, pra que todos saibamos como nos proteger e lidar com cada uma?

Meu nome é Luana Araujo, sou médica infectologista, e me proponho aqui a ajudar você a entender o que é a Infectologia, o que são doenças infecciosas, suas causas, sintomas e tratamentos.

Veja bem, este não é um espaço de diagnóstico e JAMAIS substituirá a sua consulta ao vivo com um médico da sua confiança. É apenas um site para sua melhor informação. Desinformação gera doença.

INFORMAÇÃO É SAÚDE!

Vamos lá?

E agora, Infectologia?

 

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