“Superbactérias” – o que eu tenho a ver com isso?

Pra começar, vamos entender o que as pessoas querem dizer quando chamar uma bactéria de superbactéria.

Uma bactéria é um minúsculo ser vivo, que não conseguimos ver a olho nu, que interage com outros seres vivos e pode tanto ter uma atuação positiva na saúde do hospedeiro quanto provocar doenças. No homem, as bactérias são muito benéficas, por exemplo, ao ajudar nosso intestino a absorver os nutrientes e a proteger o órgão. Mas também nos causam doenças que conhecemos por infecções bacterianas, como amigdalites, pneumonias, sinusites, etc. – e elas são combatidas com antibióticos.

Aliás, uma informação muito importante: antibióticos só combatem infecções causadas por bactérias! Se você tiver uma infecção causada por vírus, NÃO ADIANTA TOMAR ANTIBIÓTICO. Ele não só não vai tratar a sua doença, como pode lhe causar muitos outros problemas. NÃO TOME ANTIBIÓTICOS POR CONTA PRÓPRIA!

Agora voltando ao assunto do post…

O que é chamado de superbactéria é aquela bactéria que já não responde ao tratamento comum da forma como esperamos. É como se ela criasse um escudo contra essas drogas. Por isso nós dizemos que ela é resistente aos antibióticos.

Mas e daí? O que significa isso?

Acontece que, se você desenvolve uma infecção por uma bactéria com esse comportamento, ela é mais difícil de tratar. E mais cara. Exemplo: ao invés de tomar medicação pela boca – mais simples e mais barata, na maior parte dos casos – você acaba precisando internar para tomar medicação pela veia. E ninguém quer isso, certo? Mas pode ficar pior: para algumas bactérias, nenhum antibiótico existente no mundo funciona mais. Quer dizer, se você tem uma infecção causada por uma destas, não há tratamento que vá lhe ajudar. Esse é um problema sério, muito sério, que vem acontecendo pelo mundo inteiro. E acredite: até mesmo na sua cidade pequena. (veja mais: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40561948 )

Mas todo mundo pode pegar uma infecção assim? Por uma superbactéria?

Sim. Mas tem gente mais suscetível. São aquelas pessoas que já têm algum problema de saúde que compromente a imunidade; gente que já faz uso de antibiótico; pacientes submetidos a procedimentos invasivos, como cirurgias (e outros que “entram” no paciente, por isso chamamos de invasivos). Por isso os pacientes que estão em CTI têm mais chance de entrarem em contato com essas bactérias e desenvolver doenças. Mas lembre-se: todos estamos sob risco. Quer ver?

As bactérias causadoras da Gonorréia e da Sífilis estão se tornando intratáveis. Mas estas não eram doenças da Idade Média? Ninguém morre disso, doutora! Pois é, deveriam ser doenças das quais a gente nem mais ouve falar. Mas não, elas estão por aqui, acometendo muita gente – crianças, inclusive! (veja qui o post sobre sífilis: https://eagorainfectologia.com/2017/07/25/eu-tenho-sifilis-e-agora/ ) – e só são pegas através do sexo sem proteção – e matam sim, tá?

Mas por que elas estão aparecendo?

Porque estamos usando antibióticos demais. Quase sem controle. E não é só na saúde humana não… as criações de animais, como aves e gado de corte, recebem antibióticos para que os animais não adoeçam e possam crescer mais rápido para serem abatidos, assim os produtores não perdem dinheiro. Aliás, mais da metade dos antibióticos consumidos no mundo são utilizados na agropecuária. Acontece que, dentre outros problemas, estes antibióticos acabam selecionando as bactérias mais resistentes e elas têm chegado até nós. (saiba mais aqui: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151208_antibioticos_animais_rb )

Mas como eu me protejo? O que eu posso fazer?

 

Simples:

  • primeiro, lave sempre as mãos. Sempre. Assim diminuímos as chances das bactérias chegarem até nossas bocas, olhos, narizes, feridas, etc. Se for internado em um hospital ou precisar de auxílio médico, cheque sempre se o profissional que lhe atende higienizou as mãos com água e sabão (ou álcool gel) antes e depois de lhe atender;
  • segundo, tome antibiótico apenas se prescrito pelo médico. Nunca se automedique. Não tome o que sobrou de outra caixa porque os sintomas são os mesmos. Não tome o que a sua vizinha tomou porque funcionou para ela. Tenha certeza de que ele é adequado para você – pergunte sem medo para o seu médico. E tome apenas durante o tempo que ele mandou – nem a mais, nem a menos;
  • terceiro: sexo protegido sempre! Não tem desculpas para não usar camisinha!

Outras medidas estão sendo tomadas pelos hospitais através das suas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar, pelos municípios, estados e governo federal. Também precisamos ficar de olho e cobras ações para isto.

Alguma outra dúvida? Escreve para mim! 🙂